ANÁLISE

Mercado

Projeções favoráveis, melhorias e oportunidades contínuas em 2017-2018


O legado da crise e as premissas de uma nova fase do mercado


Frost & Sullivan
Por Thales Jurado, Analista de Indústria, Mobilidade, Frost & Sullivan

O Brasil passou por longos e demorados anos, desde 2013, com queda de vendas de veículos novos. Contudo, naquele ano, o mercado absorveu cerca de 3,5 milhões veículos novos. Essa foi uma marca histórica considerando o recorde de 3.6 milhões de veículos em 2012, um ano antes, mantendo níveis elevados de vendas. O impacto da crise desestabilizou grande parte da indústria entre 2013 e 2016 e ainda gerou certo clima de incerteza, dentro e fora das corporações.

A Frost & Sullivan foi convidada para participar do ilustre evento da Automotive Business, mês passado, que teve a presença dos principais players do mercado em um ambiente propício para gerar discussões construtivas e de alto nível. O primeiro ponto que deve ser ressaltado é a perspectiva e expectativa dos stakeholders para o futuro do País. A instabilidade política foi colocada de lado nas conversas durante os intervalos e muito foi conversado sobre a volta do crescimento do mercado e suas eventuais oportunidades, dentro e fora das estradas.

Existe determinado consentimento sobre os movimentos da indústria e suas perspectivas futuras. As projeções apresentadas durante o evento se mostram viáveis e deixam grande parte da indústria menos receosa sobre o futuro do setor, ainda que frente a um ano de eleições presidenciais em 2018. A Frost & Sullivan acredita que a venda de veículos novos em 2017, que deve chegar à marca entre 2,03 a 2,10 milhões de veículos, crescendo cerca de 2,1% em relação ao ano passado. Entretanto, caso este seja o momento crucial entre o que foi uma retração do consumo por parte da alta inflação, falta de garantias quanto aos empregos, baixa confiança do consumidor e renda, para o que será o início do crescimento da demanda, conseguimos aprender tudo o que a crise nos propiciou?

Dentro do caos, existe a inovação, e dentro da ruptura, muitas vezes, vemos os novos negócios e melhor adequados às necessidades dos clientes. Esses fatores influenciam o mercado e também trazem novos insights para o mercado com eventuais oportunidades, o famoso oceano azul, e ainda, soluções simples e criativas que estavam ao nosso lado.

Frost & Sullivan acredita que grandes projetos de redução de custos foram implementados e, em sua grande parte, o clima de austeridade alavancou a maior parte destes processos de melhoria. Muitas empresas voltaram seus olhos para sua operação, com a cooperação dos funcionários, para atingir uma melhor eficiência e eficácia em suas atividades. Todos sabem da importância de uma operação enxuta no segmento, porém, em anos de grande atividade podemos deixar detalhes à mercê das atividades principais.

A EXPORTAÇÃO COMO GRANDE DESAFIO E OPORTUNIDADE DE CRESCIMENTO

Além desse fatos, a exportação de veículos se mostrou uma atividade promissora no Brasil, podendo fazer parte de algo maior, dependendo da competitividade internacional dos produtos produzidos no Brasil. Alguns segmentos e marcas já colhem frutos dessas operações globais, como parte de sua capacidade produtiva e de abastecimento para determinadas regiões. Neste momento, devemos traçar planos futuros conscientes para que a indústria brasileira possa caminhar nesse sentido como uma nova saída para anos de baixa demanda e uma rota de desenvolvimento do Brasil como potência exportadora no mercado automotivo.

O AFTERMARKET, GRANDE POTENCIAL EM CRESCIMENTO

Em paralelo, a Frost & Sullivan ressalta o comportamento de alguns mercados e sua importância, como o aftermarket, que é correlacionado com o crescimento dos veículos em operação. De acordo com um estudo em andamento da Frost & Sullivan, nos últimos anos, a indústria percebeu a grande oportunidade que possuía dentro do setor de pós-vendas, peças e acessórios. Esse segmento não tem somente uma relação importante com a fidelidade do cliente no longo prazo, mas também, como um projeto altamente rentável. O setor de reparação automotiva permaneceu aquecido no mercado brasileiro durante a crise, carros continuaram frequentando o mercado independente de mecânicas, funilaria e pintura. O grande driver deste mercado se dá por parte de que apenas cerca de 1,5% dos carros existentes no mercado saem de circulação, desta forma, os veículos em operação permanecem aumentando mesmo com vendas de 1,8 milhão de veículos, como no ano passado.

O PORTFÓLIO DE PRODUTOS COMO CHAVE PARA O SUCESSO

Alguns segmentos, ainda que com as alterações em seus preços sugeridos no mercado, mostraram que alguns clientes estão aptos a consumir determinados bens duráveis como automóveis premium e os de categoria B e C, além de SUV’s e picapes. De acordo com o estudo Growing Segments in LATAM’s Passenger Vehicles Market 2022, recentemente publicado pela Frost & Sullivan, em poucos anos, tivemos grande marcas lançando veículos neste setor e colhendo frutos promissores que também satisfizeram os desejos dos seus consumidores finais com excelência.

Em conclusão, a Frost & Sullivan acredita que anos promissores estão chegando no setor automotivo brasileiro. Porém, os detalhes e planos concretos poderão influenciar a operação de diversas empresas, assim como o Brasil em uma rota de desenvolvimento que alavanque a produção de veículos e suas oportunidades de negócio. A crise deve ser entendida como um outlier do comportamento de vendas e suas oportunidades, melhorias e impactos mapeados, para que, de forma contínua, influenciem positivamente na operação deste setor tão importante e promissor no Brasil do futuro.

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